Diferente da dor que sentimos ao bater o dedo ou cortar a pele, a dor neuropática não surge de uma lesão simples no tecido, mas sim de uma falha no próprio sistema nervoso. Pacientes descrevem essa sensação como choques elétricos, queimação intensa, formigamento ou agulhadas, muitas vezes sem uma causa aparente visível. Condições como diabetes, herpes zoster (cobreiro), compressões nervosas antigas ou traumas na coluna podem lesionar os nervos, fazendo com que eles enviem sinais de dor contínuos e errados para o cérebro, mesmo que a lesão original já tenha cicatrizado.
O grande desafio da dor neuropática é que ela geralmente não responde bem aos analgésicos comuns e anti-inflamatórios que temos em casa. O tratamento exige uma abordagem farmacológica especializada, utilizando classes de medicamentos que atuam “acalmando” a atividade elétrica excessiva dos nervos. O ajuste dessas medicações é uma arte médica: é preciso encontrar a dose certa para silenciar a dor sem causar efeitos colaterais excessivos, permitindo que o paciente volte a dormir e a ter rotina.
Quando os medicamentos não são suficientes ou causam muitos efeitos adversos, a Medicina Intervencionista oferece tecnologias avançadas como a Neuromodulação. Trata-se de uma técnica capaz de alterar a transmissão dos sinais dolorosos através de estímulos elétricos ou químicos direcionados. Em procedimentos minimamente invasivos, podemos implantar eletrodos ou realizar bloqueios que “reprogramam” a forma como o nervo percebe a dor, oferecendo alívio para casos considerados intratáveis pela medicina convencional.
Viver com dor neuropática pode ser exaustivo fisicamente e mentalmente, mas o cenário atual é de esperança e controle. Com o diagnóstico correto e o uso das terapias de neuromodulação e estimulação percutânea, é possível reduzir drasticamente a intensidade das crises. O objetivo do tratamento é tirar o paciente do modo de sobrevivência e devolver a ele a funcionalidade, permitindo que o foco da vida deixe de ser a dor e volte a ser o bem-estar.