Síndrome Dolorosa Miofascial e Pontos-Gatilho

Você já sentiu aquele ponto dolorido e rígido no músculo, popularmente conhecido como “nó”, que ao ser pressionado espalha a dor para outras regiões do corpo? Isso é o que chamamos de ponto-gatilho (ou trigger point), a principal característica da Síndrome Dolorosa Miofascial. Diferente de uma simples fadiga muscular pós-treino, essa condição gera uma dor crônica e profunda, geralmente causada por má postura, movimentos repetitivos, estresse ou compensações de outras lesões na coluna.
Os pontos-gatilho são áreas de hipersensibilidade onde as fibras musculares ficam contraídas permanentemente, impedindo a circulação sanguínea adequada e acumulando toxinas inflamatórias. Quando não tratados, esses pontos podem limitar severamente os movimentos do pescoço, ombros e costas, além de serem uma causa frequente de dores de cabeça tensionais. O uso de analgésicos comuns muitas vezes traz apenas alívio passageiro, pois não resolve a contratura mecânica do músculo.
Na Medicina da Dor, o tratamento padrão-ouro para casos resistentes é a Infiltração de Pontos-Gatilho. O procedimento consiste em introduzir uma agulha fina diretamente no nódulo muscular, podendo ser realizada “a seco” (apenas o estímulo mecânico) ou com a injeção de anestésicos locais em baixas doses. Essa intervenção “quebra” o ciclo da dor, relaxando a fibra contraída quase instantaneamente e permitindo que o sangue volte a circular na região.
Para garantir a máxima segurança e evitar lesões em estruturas próximas (como o pulmão em infiltrações nas costas), realizamos esse procedimento guiado por ultrassom sempre que necessário. Após “desatar” esses nós através da intervenção médica, o paciente sente um alívio imediato da tensão, o que facilita enormemente o trabalho de reabilitação fisioterápica, alongamento e correção postural para evitar que o problema retorne.